Durante o tempo de isolamento social, muito se é falado sobre o aumento dos transtornos psicológicos entre jovens e adultos, por conta da falta de interação social. Pesquisas demonstram que males como a Síndrome do Pânico e a Depressão têm aumentando exponencialmente, e atingem pessoas cada vez mais jovens.

Porém, quando lidamos com transtornos psicológicos, também podemos trazer à luz problemas que se agravam no físico, e é sobre um desses problemas que iremos tratar neste artigo: a Anorexia.

Na última semana, o mundo se chocou com a morte de uma modelo britânica em decorrência da anorexia. Para os amantes do mundo da moda, lidar com as pressões estéticas, os padrões e a vontade de se manter perfeito, são coisas recorrentes e se tornam até mesmo, de maneira trágica, comuns. Por conta disso, este transtorno específico assola milhares de modelos pelo mundo todo, que desenvolvem o pensamento de que não podem perder nem 1% da “perfeição” que são seus corpos, para os outros.

Este pensamento, além de falso, atrai a Anorexia, que faz com que indivíduos passem dias sem comer, até semanas, se “preparando” para seus desfiles. Pessoas que não conseguem comer sem se exercitar por longas horas após cada refeição, ou até mesmo que preferem ficar sem comer do que arriscar algumas gramas a mais na próxima pesagem.

Como dito pela Psicanalista Camilla Araújo Lopes Vieira, em seu artigo “Anorexia: uma tentativa de separação entre o Sujeito e o Outro”: “Trabalhando alguns conceitos importantes, em psicanálise, apontamos, na anorexia, uma distinção nítida entre o seu desejo e o desejo do Outro, ainda que possa utilizar a própria morte como condição. Impossibilitado de dar o que não tem, o Outro oferece comida e empanturra o sujeito com sua papinha sufocante, não distinguindo os cuidados prestados com o dom de amor. Assim, nem epidemia da atualidade, nem mero ideal propagado pela mídia. Localizada no espaço que se abre para o desejo, ela surge enquanto reivindicação do sujeito. Mesmo que a morte esteja vislumbrada, ainda que como última alternativa, o sujeito segue tentando fazer valer o seu desejo, diferenciando-o do desejo do Outro. Chegamos à conclusão, pois, de que a anorexia pode ser entendida como uma forma, por parte do sujeito, de manter-se à distância do desejo do Outro, numa reivindicação mesma de não abrir mão do seu próprio desejo”.

Dessa forma, podemos concluir que a anorexia tem se agravado ainda mais durante a pandemia, por conta da pressão social imposta pela condição de estar em casa, de não poder manter uma rotina de exercícios e até mesmo de não conceber o fato de que, quando voltar ao público, podem estar um pouco fora dos padrões que estavam antes da pandemia.
Se você sofre com esse mal, e passa por dificuldades alimentares que podem ter início em seu subconsciente, não deixe de buscar ajuda, e marque sua consulta com um especialista!